Em dia movimentado na tramitação dos quatro projetos de lei que tratam do marco regulatório da exploração e da produção de petróleo na camada pré-sal, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, antecipou que o governo brasileiro estuda autorizar, no futuro, o uso do óleo diesel em carros de passeio — liberação restrita a caminhões, ônibus e alguns veículos utilitários. “A experiência está sendo feita. Do ponto de vista tecnológico, há essa possibilidade”, explicou o ministro, em audiência pública no Senado, causando espanto aos participantes.
A notícia pode até animar os consumidores dispostos a pagar 20% a mais pelo carro movido a diesel, para aproveitar o preço mais em conta do combustível, mas especialistas não ficaram entusiasmados.
Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, a ideia não faz sentido no País que importa 14% do que consome. “O País importa diesel. Além disso, produz um combustível que é de qualidade ruim. Temos o etanol, muito menos poluente, e os carros flex. A manutenção dos carros movidos a diesel é mais cara. Acho que o pré-sal está gerando essa nova maldição, de pensar na matriz energética suja. Enquanto o mundo inteiro caminha na direção mais limpa, com fontes renováveis, fala-se em liberar o diesel”, critica o especialista. “Pensam copiar a Noruega, mas estão copiando a Venezuela”, acrescentou.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, comentou que o País já tem no etanol e no biodiesel, menos poluentes, opções mais coerentes. “Essa não é uma proposta especialmente brilhante”, disse Minc. Procurada por O DIA, a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) informou que não comentaria assunto de projeto ainda em tramitação. No Senado, proposta do senador Gerson Camata (PMDB-ES) prevê o uso do diesel nos automóveis, como nos países da Europa.
Sexta, 11/09/2009. O Dia Online
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